terça-feira, 30 de setembro de 2008

sobre a vertigem dos olhos

Sou recém nascida neste teatro, ainda que tenha começado a me embrenhar nele há mais de três anos, em contatos mensais com o Zé para as gravações do Canal Brasil. E então em Os Bandidos fui absorvida, de forma absolutamente amorosa, num fluxo natural e bonito demais.

Existe entre os atores e eu, ainda que eles provavemente não saibam, uma ligação que me enche de sensações vertiginosas. Ser câmera é o modo que encontrei para investigar e revelar o outro. Tocar com os olhos e fazer com que o espectador perceba a beleza através da minha retina, da minha lente e principalmente de todo o amor que sinto por tudo o que eu vejo. Assim Os Bandidos está sendo um presente, por esta conexão profunda com cada ator para quem eu aponto a câmera, o brilho de todos em cena, a violência e a doçura do ardor de cada um. Tenho me emocionado em todas as apresentações - e eu já desaguei tanto que daria pra lavar o corpo de todo o elenco. Esta semana preciso silenciar um pouco e digerir; fui arrebatada e levada a lugares que nem sei dizer. Elaine disse que acha que eu ainda vou explodir em cena. Talvez. O desafio agora é transformar isso em concentração, mais e mais e mais.

as texturas












sexta-feira, 26 de setembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

TEATRO É IGUAL A FUTEBOL

Teatro é foda.
Fizemos 3 apresentações em Porto Alegre,
a peça teve um outro nascimento lá,
jogamos com o público…
Ontem fizemos o último ensaio antes da estréia em SãoPã.
Sinistro!!!
Tudo desconectado, o terreiro eletrônico completamente desplugado.
Futebol é assim.
O Flamengo foi o primeiro colocado no campeonato brasileiro por várias rodadas,
de repente, o jogo desanda, o time não segura a ligação pra continuar no topo…
A mesma coisa com um time de atores técnicos artistas…
Ontem e hoje (o ensaio começou 23h e terminou às 5h)
nem parecíamos que tínhamos jogado no campeonato gaúcho.
Essa peça precisa ligação de jogo e de um avião pra decolar.
Um vôo depende de muitas coisas:
da torre de comando,
da pista liberada,
das condições do clima – nuvens, ventos,
dos deuses estarem favoráveis,
do próprio equipamento,
que tem vários ítens que precisam ser checados a cada pouso e decolagem,
dos celulares desligados,
da comida já embarcada pra dar conta da fome e dos humores durante o vôo…
Ontem começamos sem muitas coisas técnicas prontas,
sem o som ter sido passado,
sem muita coisa da luz ainda não montada,
com um cheiro de tinta fortíssimo no teatro,
com o teatro muito sujo,
judiado pela montagem do últimos dias.
E aí não decolamos.
Hoje teríamos folga,
que foi cancelada
pra que lêssemos os comentários pra nos preparar pra estréia.
Mas vamos logo sem paredes.
Amanhã é já.
Felicidade Guerreira
Ardor!

Beija-Flor Animal Totem dos Dervixes



quarta-feira, 24 de setembro de 2008

terça-feira, 23 de setembro de 2008

algumas pistas pra atuações espontâneas do público

tivemos agora o primeiro ensaio depois de Porto Alegre
comentários,
pequenos cortes…

descobrimos que determinadas cenas
podem ter a belíssima participação do público na pista
mas que os atores não podem convocar essa participação,
pois pode estragar tudo.

então da mesma forma que os atores recebem comentários,
que não serão ensaiados,
mas experimentados ao vivo,
vamos abrir aqui um espaço pra direção pra ser experimentada pelo público.

dicas das cenas em que vamos experimentar essa participação expontânea.

A primeira:
Cena em que Bin Trotski dervicha pro bando de Damião
e os bandidos vão entrando na dança dele, dervixando junto…
Bin Trotski já postou aqui uma foto linda de dervixes.

Vai ser maravilhoso se tivermos a pista
cheia de pessoas experimentando esse transe da dança rodada…
Virando árvore…

A segunda, que no espetáculo é cronologicamente antes da primeira:
quem souber, cante junto os versos da música eu e a brisa…

Já é primavera!!!

domingo, 21 de setembro de 2008

dia da árvore… quase noite já…


foto de luis ushirobira

COSME DAMIÃO E DOUM NO PÉ DA CESALPINA

SE LIGA MALUCO!

Porto Alegre foi do caralho.
A primeira vez que corremos toda a peça,
sem nenhuma parada pra ajustes,
tendo que nos virar caso alguma coisa saísse do programado
foi no nosso primeiro espetáculo, no dia 17.
Antes disso, pelas circunstâncias de tempo e outras adversidades,
em nenhum momento fizemos esse jogo do começo ao fim, direto.
O público foi testemunha dessa primeira experiência desse processo.

Foram 3 espetáculos completamente diferentes.

No primeiro apanhamos bastante do espaço,
da acústica (que melhorou bastante em relação aos ensaios,
com todas as promessas de isolamento cumpridas),
e da própria máquina da peça, inédita pra nós também.
Foi difícil jogar 'aqui e agora' (lá e naquela hora),
e talvez por isso, não aproveitamos o público o quanto poderíamos.
Descobrimos também que o único intervalo programado seria insuficiente.
Muita gente saiu antes dele acontecer e depois também.
A peça é difícil de assistir.

Fizemos os Sertões porque a guerra de Canudos está acontecendo dia a dia,
em todos os cantos do mundo,
na favela aqui da esquina…
Massacres ainda vivos,
que cantamos pra desmassacrar.
Mas se alguém do público,
por dificuldade, alienação, ou o que for,
não quisesse encarar essa atualidade,
se agarrasse no historicismo,
e se programasse pra assistir a encenação de uma guerra
que aconteceu no sertão da Bahia em 1886/87,
e que ele não tinha nada a ver com isso,
apesar dessa possibilidade difícil,
ele poderia sair ileso e ainda gostar dos espetáculos.

Nos Bandidos, a abstração histórica é impossível.
A tradução-adaptação do texto é muito clara,
a história, escrita em 1777
é da hora,
é de agora.

No segundo dia à beira do Guaíba,
quando estávamos mais relaxados,
e demos espaço pro público reagir,
fazer todas as conexões
e revelar coisas ainda obscuras pra nós,
ficou bem claro que essa é uma peça de teatro de estádio.
O público atua o tempo todo, dá sentido,
entra em cena na própria existência.
Quero dizer que é diferente dos espetáculos
em que os espectadores são convidados a entrar na pista,
pra fazer algum papel, ou parte de coros.
Os gaúchos revelaram a protagonização do público na ligação.

Desejo que todos os espetáculos sejam assim.

No terceiro dia aconteceu uma coisa engraçada:
tinha saído uma crítica boa da estréia no jornal Zero Hora,
e parecia que o público tinha lido e estava mais preparado,
esperando as cenas que foram elogiadas,
já gostando de coisas predeterminadas.
Talvez por isso começou um pouco mais difícil do que o segundo dia.
No primeiro intervalo
(fizemos 2 nos dias 18 e 19)
nos ligamos nisso
e entramos no segundo ato com o superobjetivo de quebrar as pré-impressões.
E aí fomos juntos até o fim.

SILVIO SANTOS EM CENA

Todas as matérias de jornal destacam a participação concreta de Silvio Santos nessa peça.
Com Os Bandidos estamos fazendo uma proposta muito concreta pra ele.
Estamos lhe dando o papel de Apolo, e chamando-o pra atuar junto com Dionysio.
Mas o que ainda não foi revelado pela mídia nesse fato
é que essa proposta não é só pra Silvio Santos.
Não é só ele que vai ter que mudar
e encarnar outro papel.
A proposta é pra nós também.
Eu, pessoalmente, tenho ainda resistência em ver essa aliança.
Ainda não é concreto pra mim
a construção do Anhangabaú da Felicidade
em parceria com ele e com o Grupo SS.
Mas topo a direção de Schiller
pra entrar em cena cada dia e vencer essa resistência.

E que cada vez mais a gente consiga deixar claro,
que essa história não é só a "pendenga entre Zé Celso e Silvio Santos",
como a encenação dos Sertões,
não era só sobre "uma guerra entre conselheiristas e republicanos,
acontecida em um longínquo povoado no sertão da Bahia…"

O que a luta pela ampliação dos 400m2 que uma Cia de Teatro,
que faz 50 anos em 2008,
ocupa num quarteirão do bairro do Bixiga,
tem a ver com você?

A delícia de espetáculos de teatro de estádio é pro gozo dos Oficinas?

Quantos filmes são realizados no Brasil e não são distribuídos?
Quantas salas Batman ocupou na estréia?
Quantas bandas não conseguem fazer shows?
Quantos teatros tem o público cada vez mais reduzido?
Quantos projetos recebem verbas de leis de incentivo?
Quantos não recebem?

Se liga maluco, Canudos tá aí na esquina…

Domingo, 21 de setembro - dia da árvore.

Ardor!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ESPELHO DO CELULAR

Ió Dionysus!!! Ió Bacante Vidente!!!



Dervixando eu sou como uma arvore, uma ponte entre o Cosmos e a PachaMama



O Bin Trotsky

é um filho da puta das elites trilhonarias russo-arabes, os grandes magnatas do momento...embora seja um iniciado no sufi, é um guerrilheiro ardoroso, iniciado tambem nas taticas e tecnicas de guerrilha judaico-muculmanas-cristans, assim como os dervixes norte-afegaos foram os maiores resistentes da invasao sovietica, e eu estou falando de luta armada, nao do ghandi! No Oriente medio nao ha nada light, é só bomba, destruicao, pedradas, inquietacao sem fim, horror do deserto plantado pelos misseis, muito petroleo, muita arma, jovens guerreiros quase bebes e etc...Claro que ele seria um homem-bomba, claro que ele é um terrorista atuante ja que foi convocado por uma Jihad, e lutou no Iraque por essa convocacao, porem foi preso e fichado e seus dados passam a integrar a rede internacional de informacoes da policia. Porem pela abertura na sua mente trazida pela sabedoria sufi, que e igual o xamanismo dos amerindios nossos, do D Juan do Castaneda, a nocao de que a realidade e o mundo sao conceitos impostos pela mente e de que ha de romper e explodir tudo isso para que se consiga realmente ver, enxergar o tudo, o todo e o um. E bruxaria arabe sim, mas do tipo transe, uma mistura de macumba com xamanismo e muita filosofia escrita, matematica, astronomia...Entao ele seria um homem-bomba sim! Mas por outros motivos que nao os cliches fundamentalistas, mas na paixao incendiaria dele ele seria capaz de se explodir sim, assim como ja explodiu muitas outras coisas e pessoas. A Jihad conclamada pelo Osama Bin Laden, tem como respostas a invasao ao iraque e ao afeganistao pelos EUA, ele luta na santa guerra e e preso e foge pro afeganistao onde ficam nas montanhas isoladas himalaicas os grandes templos sufis. O regime do taliban destroi e mata qualquer outra ideologia, video no afeganistao as mais lindas maravilhas do mundo destruidas pelos fundamentalistas, as estatuas esculpidas nas rochas das montanhas dos Budas, entre outros patrimonios da beleza universal. Expulsos, os sufis vao para o iran, que junto com afeganistao forma a antiga persia, berco tambem do sufismo e em melhor relacao (neste exato momento) com bombardeios e ataques. Mas para Bin trotsky é hora de ir para o outro lado do mundo, seus ventos apontam agora para as cordilheiras dos andes. Voce sabia que quando o continente persa se descola da africa e se choca com o oriente medio resulta na sublevação do Himalaia, que junto com os Andes, formam os polos magneticos do mundo, sendo o himalaia o polo positivo, masculino, e é berco do patriarcado (la nasce o zoroastrismo, primeira religiao monoteista e patriarcal, que da origem ao trio de monodeuses cristao, arabe e judeue tb aos budistas) ja nos andes fic ao polo negativo ou feminino, dos maya ,incas e da kosmika pacha mama. Sua travessia agora (oriente ao ocidente / himalaia aos andes) esta ligada aos conceitos de trotsky de serestar em revolução permanente e de formar um frente unica revolucionaria no mundo todo, que unisse os oprimidos de todo o globo para organizados fazerem o revide. Assim ele chega a selva colombiana e se associa as FARC, onde se apaixona pela pacha mama (guerrilheira peruana das FARC que encorpora a pacha mama, igual a Marilda, uma grande sacerdotisa do mais arcacaico xamamento. So q essa figura do captain do exercito de ocupacao, descobre que eles vao casar em machopichu, e ele é apaixonado por ela tb, entao ele arma em cima do BIn que vai parar em Abuh Graib e faz o circuito completo dos campos de tortura muculmanos que hoje existem no mundo e funcionam a todo vapor. Aqui tem que ficar claro o horror, o grito da dor sem fim, nas masmorras do imperio decadente (sao 4: abu graib no iraque, um na polonia, um na amazonia, colombiana e talvez brasileira, e o ultimo em cuba, guantanamo) as torturas e os manuais deles estao todos ai pra quem quiser ver, na internet no jornal, nao podemos ser ligths ou doces nessa hora, temos obrigacao de mostrar esse horror e de chocar eletricamente o publico nessa hora. Dai ele é liberado pelo captain e descobre toda a armacao do mesmo e do cativeiro de pachamama. Sozinho tenta operar esse resgate, mas se ferra mais uma vez (pela sexta vez, ja que a priemria foi na jihad) e finalmente e expulso da colombia, exilado, e parte em busca do bando de damiao

Salaam Wa Aleikum

Bin Trotsky 05-09-2008

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA de Diadorim PRA REVISTA APLAUSO - de PORTO ALEGRE

Essa entrevista dei no dia 14/08.

1. O Teatro Oficina está comemorando 50 anos em 2008.
Como será a comemoração deste aniversário?
Há projetos especiais para este ano?
A estréia de Os Bandidos em Porto Alegre é um deles?

Em 2007, com patrocínio da Petrobrás,
fizemos uma temporada de viagens de Os Sertões pelo Brasil
– chegávamos e construíamos uma réplica do Teatro Oficina.
Éramos 88 pessoas do nosso corpo técnico-artístico,
vivendo dez dias em cada cidade,
trabalhando com crianças e adolescentes locais,
que fariam parte do coro dos Sertões
e todos os previstos e imprevistos que surgem nessa empreitada…
Nosso quinto e último porto do ano foi Canudos, em dezembro.
Em nosso Teatro Oficina no sertão tivemos sessões lotadas das cinco peças
e a experiência muito instigante de atuar para um público virgem e sedento de teatro.
Entramos em 2008, ano do cinqüentenário, com vários projetos para comemoração:
uma grande exposição em São Paulo, outra no Rio,
a digitalização de nosso arquivo,
publicação de livros,
a estréia de Bandidos…
Mas o andamento de vários processos burocráticos de nossos projetos foi muito lento,
o que fez com que o dinheiro de patrocínio só chegasse no começo de julho.
Isso criou outra situação na companhia.
Em fevereiro começamos a fazer vários mutirões
pra produzir sem depender da desburocratização financeira:
colocamos Vento Forte pra um Papagaio Subir em cartaz;
um convite do SESC pra uma leitura de Taniko, peça do nô japonês,
fez com que montássemos a peça
e a colocássemos em cartaz no Oficina;
também encenamos o Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade;
e Cypriano & Chan-ta-lan de Luís Antonio Martinez Correa,
enfim, revertemos a situação e, ao invés de estagnarmos,
produzimos como coelhos,
numa comemoração bem concreta do cinqüentenário
– a prática diária de trabalho artístico de atuação e produção.
Agora vários caminhos da grana já estão abertos
e nós com o corpo treinado e fortalecido pra encarar mais profundamente
a montagem de Bandidos
e os projetos que fizemos no início do ano pra festa dos 50 anos.
Nossa pré-estréia nacional em Porto Alegre é um projeto especial.
Quisemos muito fazer Os Sertões aí.
Todas as cidades que encenamos ano passado
eram cidades-locação do livro de Euclides da Cunha
(Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Quixeramobim – CE, onde nasceu Antonio Conselheiro,
e Canudos).
Porto Alegre faltou no nosso roteiro.
Apesar de não ser locação,
os gaúchos foram personagens fundamentais da Guerra de Canudos,
depois que entraram em cena, o exército começou suas vitórias.
Foram os mais fortes protagonistas antagonistas.
E sempre foi um prazer atuar aí,
nossas apresentações de Cacilda! e Boca de Ouro no Porto Alegre em Cena foram fantásticas.

2. Por que a adaptação de Zé Celso Martinez foi feita em em versos?

Porque cada vez mais nosso trabalho é de um teatro que é ópera de carnaval trágicomicoorgiástica,
se aproximando do Rap, que é ritmo e poesia.

3. A musicalização da peça visa aproximá-la do público?

Visa principalmente criar outra comunicação com o público,
que não é psicológica e realista.
O ritmo e a musica na atuação,
na fala
abrem caminho pro entendimento não só com nossas cabeças,
mas, principalmente com nossos corpos.
Eles propiciam um entendimento mais ativo,
que pode provocar transformações mais concretas em quem assiste o espetáculo.

4. Zé Celso Martinez escreveu que esta é a "primeira novela das 8 do OficinaUzynaUzona.
Por que a escolha deste formato folhetinesco?

Nessa adaptação do texto de Schiller,
um dos temas centrais é a fabricação de consciência
que a mídia e as coorporações de TV realizam.
Qual é o papel de uma novela assistida diariamente por milhões de pessoas
num país como o Brasil?
Como essas obram interferem nos valores modernos?
Somos antropófagos.
Estamos usando este formato com outro conteúdo,
pra descobrirmos ou não essas respostas
e pra sermos também antropofagiados.
Um dos pontos fundamentais do Manifesto de Oswald
é a contracenação com o antagonista, sempre!

5. A peça tem uma crítica social forte.
Vocês acreditam que isto seja algo raro no teatro dos dias de hoje?

Tem de tudo no teatro dos dias de hoje, de entretenimento à critica,
o que falta é a retomada do poder do teatro que foi interrompido.
Esse poder é censurado.
Na catalogação de serviços que os cadernos culturais do jornais fazem,
teatro é uma coisa pra ser vista pelo público x ou y,
determinada peça é pra esse grupo, outra é praquele…
Depois de Canudos, pra nós é inevitável abrir o Oficina pra todos os públicos,
o da classe AA, da B, C, D, E.
E pra todos ao mesmo tempo.
Não queremos fazer uma sessão especial pros moradores de rua,
e outra pra estudantes
e mais outra pra elite…
Antes de irmos pra Canudos,
houve uma resistência de um grupo da UNEB,
que dizia que a população de lá não estava preparada
pra receber os espetáculos complexos dos Sertões,
que seriam muito fortes pros moradores daquela cidade.
E foi o contrário.
Foi maravilhoso, lotado, com o público participando, reagindo, vivo!
Canudos está cheio de lanhouses, a internet está deixando a comunicação livre,
é pretensão achar que determinado grupo de pessoas entende ou não um peça de teatro.
É pra geral!!!

Roda antes do Corrido de ontem, no Porto Alegre em Cena

2º ENSAIO

Corremos tudo.
Começamos 21h40min+- e quando olhei no relógio,
um pouco depois de acabar, eram 3h20.
Nosso intervalo foi muito grande.
Começo escrevendo sobre a duração,
apeasar de não ser esse nosso foco nessa montagem.
Ainda bem.
Em algumas épocas de Sertões, isso era tão importante,
que parecia mais atletismo do que teatro.
E claro que olimpíadas tem sua "interessância".
Mas o importante é que corremos tudo, quase sem interrupções.
Muitas coisas prometidas ainda não aconteceram,
como todo o isolamento acústico,
que ontem parecia ser impossível ensaiar sem resolver isso,
mas nossos ouvidos de cachorros começaram a atuar pra superar o problema.
O que não faz com que desapareça a necessidade desse isolamento!!!
Nesses últimos dias
muitos de nós passaram mal,
vomitaram e tiveram caminheiras
(caganeiras – no dizer jagunço):
eu, Lucas, Juliane, Zé Pi, Aury, Márcio…
Perdemos uns quilos…
Apesar de não ter sido tudo resolvido,
algumas coisas aconteceram no cenário, luz, etc…
Os camarins mudaram de lugar.
Agora não são mais numa sala isolada, são atrás das arquibancadas,
com todas as trocas disponíveis pro público mais atento.
Isso é bom.
Faz com que a gente se discipline mais na atuação constante,
essa minha obssessão…
Público fique ligado e não deixe a gente se desconcentrar em coxias que não existem.
Podem acreditar que a atuação acontecerá por todo espaço dessa Usina.
Na primeira cena dos Bandidos deu pra sacar,
apeasar do espaço vazio,
a proximidade com o público.
E isso revelou o que Zé disse alguns ensaios atrás:
70% da peça é pra ser comunicada diretamente.
Deu uma excitação perceber isso.
Venham gaúchos!
Joguem com a gente.
Se façam presentes, exigentes e generosos!
Temos muita coisas pra descobrir daqui 14h e meia.
Agora é hora de descansar.
Recuperar energias.
Ardor!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sobe o Grid

video

NOTÍCIAS DO FRONT

Estamos no Rio Grande do Sul,
terra de guerreiros,
terra de fronteira.
Tivemos nosso 1º ensaio na Usina do Gasômetro,
onde nos apresentamos com Cacilda!, em 1999.
Lugar maravilhoso, à beira do Guaíba e…
com acústica péssima,
com o som reverberando por todas as possibilidades de seu enorme pé direito.
Apanhamos bastante.
Foi muito difícil ficar num estado ativo,
de atuação permanente,
pois era muito difícil ouvir o que acontecia em cena.
A "coisa" não pegou,
não arrebatou.
A expectativa de atuar pro público daqui é enorme.
Cacilda! e Boca de Ouro aconteceram aqui maravilhosamente.
Público exigente e generoso.
O festival sempre deu pro teatro o status de arte estrela,
não subordinado.
Amanhã precisamos mexer profundamente no espaço,
pra que o som não se perca.
O produtor do festival responsável por nós, Danyel,
garantiu que outras equipes,
que estavam envolvidas em outros espetáculos,
amanhã vão participar da força tarefa.
E nós, com essas adversidades sonoras,
vamos ter que ativar ouvidos de cachorros,
ampliar a escuta externa
e de cada coração
pra faiscar eletricidade.
Ardor!

domingo, 14 de setembro de 2008




Delírios dos superobjetivos e os séculos de couraças coletivas

Ontem terminamos a primeira fase de ensaios técnicos pré-Porto Alegre.
Os Bandidos é um trabalho de terreiro eletrônico.
Com necessidade de todos,
todos os presentes no espaço, estarem plugados pela COISA.
Estamos com mais equipamentos
e a peça pede uma protagonização da tecnologia.
Vídeo som e luz são personagens atuantes,
elementos presentes como jogadores em posição chave.
Mas a liga é realizada pelo roteiro e pelas re–significações que Schiller exige.
Nos ensaios apareceram impasses
que são fruto das couraças de nosso inconsciente.
Como iluminar uma cena em que o Bando de Bandidos está presente?
Eles ficam com menos luz do que os “protagonistas”?
Focar em quem está falando?
Quem não tem texto não age?
É claro que existem situações cênicas,
em que precisamos destacar determinadas ações de alguns personagens,
e que por isso, outros, nesses momentos, ficam no escuro…
E nosso material de divulgação como programas, folders, flyers…
Que imagens devem ter destaque?
Novamente vem a pergunta: devemos focar mais nos “protagonistas”?
Quem são os protagonistas?
A peça também trata dessa questão:
os holofotes da mídia estão voltados pra celebridades,
que na maior parte do tempo não atuam coralmente com as multidões.
Multidões não agem.
Multidões consomem.
Consomem não só produtos das mais diversas categorias,
mas também comportamento,
consciência,
atitudes,
morais…
Que fazer?
Como atuar artísticamente?
Ontem demos uma entrevista pra Folha de São Paulo sobre esse trabalho.
Era uma coletiva ao inverso:
um jornalista
um coro de entrevistados.
Ele perguntou porque fazer essa peça no cinquentenário do Oficina.
A resposta deve ser dada por cada atuador presente no ensaio,
e ela pode mudar a cada descoberta nesse processo.
Todos podem pensar sobre isso, independente da função, idade, experiência…
Novamente a pergunta: quem são os protagonistas do trabalho?
Estamos divididos em castas?
Quem está embaixo ou em cima da pirâmide?
Tá na hora de acordar, e se auto-coroar.
É preciso estar ligado!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Damian cheirando pó

Descobri este vídeo no YouTube.
Damian cheirando cocaína num tubo de aerosol!
Muito bom! Dêem uma olhada:

terça-feira, 9 de setembro de 2008

FRAMES












 
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