sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Oficina, 50

Escrito por Nelson de Sá, dia 28 de outubro, às 15h31

Daqui a pouco começa a festa barroca de aniversário do Oficina.

Depois de meses, voltei a ligar no domingo para o Zé. Estava na porta da 20ª seção, 251ª zona, no colégio da Pedroso de Moraes em que voto até hoje. Estava para anular o voto, minha primeira vez, e um bocado confuso. Era uma da tarde e o telefone acordou o Zé. Ele é parâmetro para mim, em qualquer coisa.

No caso, sabia que ele gostava de Gilberto Kassab, de quem fala desde a posse que o único defeito é não sair do armário, como os prefeitos de Berlim, Paris e, na época, Londres. E sabia que gostava muito de Eduardo Suplicy e, um pouco menos, de Marta. Sobretudo, ele gosta de Lula, como antes de Leonel Brizola.

Mais importante, nestes tempos, o Oficina tem patrocínio de todo lado.

Conversamos, ele falou por um lado, por outro, por um terceiro. Absolutamente racional e, mais importante para mim, capaz de ir além da dicotomia que faz o nosso cotidiano _ou pelo menos o meu próprio vício jornalístico, sempre correndo para identificar dois pólos em qualquer situação, como conflito teatral.

Não votei como ele. Fui anular, mas não sabia como e teclei "branco".

Ele nem tentou me demover, apenas falou o que pensava. Sempre foi assim. Eu me aproximei do Oficina, então sem existência imobiliária, sem teatro, depois de uma primeira divergência. Publiquei que o grupo tentaria então montar "Bacantes", mais uma vez, e ele respondeu com um artigo sem fim _e fascinante.

Acabei me juntando à trupe e ajudei a montar "As Boas", no Centro Cultural, quase duas décadas atrás, com Zé, Marcelo Drummond e Raul Cortez de Madame. Depois ajudei a montar "Ham-let" e não cheguei a estrear, mas ganhei o papel que represento até hoje, na minha fantasia. Eu sou Horácio, o amigo de Hamlet.

Hamlet que, para mim, é o Marcelo, o Zé e o Oficina, num só. É também o Pascoal, a Alleyona, a Denise Assunção. É também Bete Coelho e toda a família de "Cacilda", talvez a última encenação que acompanhei de perto, como Horário. Depois o Oficina iniciou outra de suas tantas vidas, com a viagem maravilhosa de "Os Sertões".

Já não consigo mais acompanhar passo a passo os caminhos do grupo. Em meio à demanda de trabalho, nestas eleições com crise, estou vendo "Os Bandidos" em prestações. Sexta-feira, assisti ao primeiro ato, que me fez lembrar "Cacilda". Domingo, assisti ao terceiro, que me trouxe memórias do final de "Ham-let".

Marcelo está bonito, como antes, e sereno. Confronta a força de Aury Porto, seu irmão na peça de Schiller. Sylvia Prado é a própria Cacilda. Vera Barreto Leite parece tomada por alguma entidade. A banda é parte integral da cena, como Zé tanto queria. O terreiro eletrônico, outro sonho antigo do diretor, está de pé.

Achei eu mesmo em cena, em uma velha gravação com Marcelo a ensinar guerrilha urbana. Sou um dos "bandidos", não tem jeito.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Tudo lá !

Quem quer afirmar que “Os Bandidos” não seja “Die Räuber“ de Schiller?

Uma exclamação do país de Schiller

Era uma vez um prefeito em Hamburgo, a cidade mais linda e cosmopolita da Alemanha.
Certa noite ele foi para um dos dois grandes e famosos teatros da cidade para ver a primeira estréia de um novo elenco e de um novo diretor.
Esse teatro também acabava de receber um novo diretor geral, que trouxe certas inovações cênicas para o palco. Uma das peças mais famosas e mais encenadas da literatura clássica alemã de teatro estava sendo apresentada, e quando o prefeito - cuja opinião sobre teatro importa bastante, porque esse teatro, como quase todos na Alemanha, é municipal e subvencionado por dinheiro público - saindo do teatro depois da estréia, respondeu aos jornalistas, disse que não tinha gostado da encenação. Mais precisamente, ele, o prefeito, queria “reconhecer os seus clássicos no palco”. Para ele, aquele clássico estava irreconhecível nessa encenação.
Essa história tem apenas 25 anos. A expressão “reconhecimento dos clássicos” entretanto, já se transformou por sua vez num clássico: é a objeção notória de todos aqueles que vão para o teatro com uma idéia fixa, mesmo que ignorante, de como a peça, “o clássico”, deve ser encenada; especialmente uma peça que pertença às bases da literatura e ao tesouro do teatro.
Para os que acreditam na idéia do “texto clássico de teatro imutável” é totalmente irrelevante se o autor escreveu aquele texto, tantos anos atrás, pra ser digerido naquele tempo. Para focar seu próprio tempo o autor usa elementos e linguagens da sua realidade, da sua época; ou utiliza recursos históricos, literários, musicais de outros tempos, de outros estilos.
Em princípio não interessa às pessoas, como o “prefeito clássico de Hamburgo”, a maneira como um dramaturgo, como Friedrich Schiller, queria se comportar em 1782, por exemplo - em meio aos ecos provocados pela literatura alemã na liberdade do Sturm und Drang -, em relação às condições de vida das pessoas que assistiram a encenação da sua peça no palco.
Mas justamente por isso tudo se discute também no próprio País-de-Schiller sobre ele e Die Räuber, prolongadamente e com especial prazer.
Aqui onde estou, em casa, entre Hamburgo, Munique, Frankfurt e Berlim, vi nas últimas três décadas bastante encenação dos Räuber – mas não lembro de nenhuma, nenhuma mesmo que não tenha se desenvolvido, em qualquer aspecto, de uma simples representação para uma interpretação.
Interpretação no sentido de não seguir necessariamente o texto literalmente, mas muito mais o pensamento; explicar em primeiro lugar o texto dentro da sua história, do seu contexto histórico; em segundo lugar, transferir ele de lá para o contexto político-cultural que tem a ver com o aqui e agora, com o “hoje”.
Esta forma de interpretar, de lidar com quase todos os textos de teatro da literatura clássica na Alemanha, é certa e importante. No caso de Die Räuber é indispensável. Isso Zé Celso entendeu imediatamente. E agiu conforme.
Com prazer se lembra o absurdo excesso que se seguiu à estréia no Teatro Nacional de Mannheim, no dia 13 de janeiro de 1782: tumultos espocaram em dimensões nunca sonhadas e pessoas desconhecidas se abraçavam gritando e chorando. Bem, evidentemente, os motivos e os materiais da peça estavam ligados intimamente ao seu tempo – embora as florestas boêmias dos bandidos do Schiller não descrevessem a real atualidade da época, haviam existido mais ou menos cem anos antes. Mas a atualidade gritava para o público em cada palavra, em cada linha.
Eu já tinha visto Os Bandidos, de Zé Celso, em 2007, no Festival Schillertage, em Mannheim, no mesmo teatro da estréia de 1782 e alguns ensaios este ano. Sempre admirei como o diretor, e co-autor, Zé Celso, abertamente seguiu a dramaturgia de Schiller – foi dirigido por ele.
Se imaginarmos a história dos bandidos de Schiller como um pedaço de tecido que qualquer diretor pode colocar no espaço do teatro, de várias formas e jeitos, Zé Celso simplesmente tingiu o tecido novamente e pendeu-o com cordas paulistanas, naturalmente brasileiras, no Teat(r)o Oficina – mas o ponto da tecelagem é Schiller, nada mais, nada menos! Tudo lá!
O que é mais natural no mundo de teatro Zé Celso viu no texto do Schiller um material, um húmus e um acervo, de onde pode-se contar uma história, que deve interessar a cada um na Rua Jaceguay e em volta dela: a história da luta da arte com o poder. Quer dizer: contra ele!
Nesse sentido ele também “abrasileirou“ o bando de Schiller, e até alguns papéis, que em encenações alemãs são cortados com prazer, ou pelo menos fortemente reduzidos. Por exemplo, o velho mordomo na casa dos Moor, nome da família no original de Schiller, que nunca vi tão detalhado como aqui com Vera Barreto Leite; ou o mini-papel do padre, que na transferência para Anna Guilhermina é uma sensação pura.
Aliás, houve poucas encenações alemãs que prestaram tanta atenção na figura da Amália, que virou Ariadne, e onde a única personagem feminina da peça original, irradiou tanta energia, como está conseguindo aqui com Sylvia Prado. Uma coisa dessas nunca vi na Alemanha. Já em Mannheim, Aury Porto e Marcelo Drummond eram encarnações de ícones alemães sinistros e inquietantes, com uma roupagem brasileira. Agora são guerrilheiros inconfundíveis do presente deles, quer dizer, do vosso presente em São Paulo – como são todos os bandidos do bando da Uzyna Uzona.
Enfim, quem quer de todo jeito reconhecer nos Bandidos brasileiros, os Räuber de Schiller, traduzidos palavra por palavra e frase por frase, já se desnortearia na Alemanha, 25 anos atrás. E muito mais ainda Aqui Agora Hoje, conosco, convosco.

De Michael Laages

O autor vive e trabalha nas cidades Alemãs de Hamburgo, Hannover e Berlim, e às vezes também em São Paulo, como jornalista de teatro e música.

Tradução: Juliane Elting, Camila Mota
Revisão: Günther Giese

Verbetes

Johann Friedrich von Schiller
dramaturgo, poeta, historiador, filósofo
Nasceu em Marbach, em 10 de novembro de 1759, à beira do rio Neckar, no sudoeste da Alemanha.
Irmão único, ao lado de seis irmãs, levou o nome do rei da Prússia que seu pai combatia na Guerra dos Sete Anos, quando ele nasceu, mas era chamado de Fritz. Sua mãe o queria pastor, e seu mestre na infância foi o pastor Moser, nome de uma das personagens dos Bandidos, Captain Pastor na montagem do Oficina.
Entrou para a escola militar e lá escreveu "Os Bandidos", com 22 anos, sua primeira peça, que estreou em 13 de janeiro de 1782, fez enorme sucesso e é até hoje obra adorada pela juventude alemã por sua crítica às hipocrisias de classe e religião.
Em 1787 Schiller mudou-se para Weimar, aonde foi professor, e voltou com força à dramaturgia apenas doze anos depois, em 1799. Desse ano até sua morte, em 1805, escreveu seis peças, dentre elas "Wallenstein", "Maria Stuart" e "Guilherme Tell", peça nacional na Suíça e Alemanha.
Adorador da Beleza, acreditava em seu poder de transformação ao tocar a alma humana, e sua filosofia, compartilhada com Kant, seu contemporâneo, definia-se como a "direção do livre jogo da beleza artística", o gosto pelo belo desinteressado e livre.
Sobre seu poema "Ode à Alegria" Beethoven compôs o quarto e último movimento de sua "Nona Sinfonia" e "I Masnadieri" é uma ópera de Verdi inspirada em "Os Bandidos" que tem uma de suas árias cantada na versão do Oficina, no Palco do Teatro Italiano - hemisfério norte, contraposto à Pista do Oficina - hemisfério sul.
Schiller morreu em 9 de maio de 1805. A autópsia revelou: O pulmão estava gangrenoso, pastoso, completamente desmanchado; o coração carecia de substância muscular; a vesícula biliar e o baço eram desmesuradamente grandes; os rins estavam dissolvidos em seu tecido específico e se apresentavam completamente entupidos.
O médico de cabeceira do Duque de Weimar, analisando o resultado da autópsia disse ser admirável que um pobre homem pôde seguir vivendo nessas circunstâncias.
Schiller afirmou que o espírito constrói o corpo. Seu entusiasmo criador o manteve com vida além do limite de degeneração do corpo. Só por seu espírito infinito pode explicar-se que pôde viver tanto tempo. Com o resultado da autopsia podemos formular uma primeira definição do idealismo de Schiller: o idealismo atua quando alguém, animado pela força do entusiasmo, segue vivendo, apesar do corpo não permitir. O idealismo é o triunfo de uma vontade iluminada e clara. Para Schiller a vontade era o órgão da liberdade. Na sua função de poeta, ele gostava de situar-se numa altiplanura, onde o poder da palavra responde em igualdade de condições à palavra do poder.
Em maio de 2008 exame de dna revelou que a caveira de Schiller foi trocada, na câmara dos Duques de Weimar, por outra desconhecida.

Sturm und Drang, tormenta e ardor, ou Strume und Mangue na versão do Oficina, foi o movimento estético na música e na literatura alemãs e do globo de valorização da subjetividade, emoção (sentimento e ação) e auto-consciência ao invés da consciência exterior, ilustrada, do período Iluminista. O movimento precedeu o Romantismo, e "Os Bandidos" é considerada peça-chave do Sturm und Drang por suas personagens em ação impetuosa durante toda a trama, motivados por suas paixões. A influência dessa tempestade na música criou os acompanhamentos orquestrais para as personagens nas óperas, transformando a fala em canto, como nas tragédias gregas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Trailer

EXU É DE DUAS CABEÇAS


EXU é um orixá de múltiplos e contraditórios aspectos, o que torna difícil defini-los de maneira coerente. De caráter irascível, ele gosta de suscitar dissensões e disputas, de provocar calamidades públicas e privadas. É astucioso, grosseiro, vaidoso, indecente, a tal ponto que os primeiros missionarios, assustados com essas caracteístivas, compararam-no ao Diabo, dele fazendo o simbolo de tudo o que é maldade, perversidade, abjeção, ódio, em oposição a bondade, pureza, elevação e ao amor de Deus.

Entretanto, Exu possui seu lado bom e, se ele é tratado com consideração, reage favoravelmente, mostrando-se serviçal e prestativo. Se, pelo contrário, as pessoas se esquecerem de oferecer sacrificios e oferendas, podem esperar todas as catastrofes. Exu revela-se, talvez, desta maneira, o mais humano dos orixás - nem completamente mau, nem completamente bom.

Exu é o guardião dos templos, das casas, das cidades e das pessoas. É também ele que serve de intermediário entre os homens e os deuses. Por esta razão é que nada se faz sem ele e sem que as oferendas lhe sejam feitas, antes de qualquer orixá, para neutralizar suas tendências a provocar mal-entendidos entre os seres humanos e em suas relações com os deuses e até mesmo entre os deuses em si.


ORIXÁS - Pierre Fatumbi Verger

Folha. manchete semana passada. auge da crise.

domingo, 12 de outubro de 2008




"Ode Decontínua e Remota, para Flauta e Oboé, de Ariadne para Dionisio”

Canção V

Quando Beatriz e Caiana te perguntarem, Dionísio,
Se me amas, podes dizer que não. Pouco me importa
Ser nada a tua volta, sombra, coisa esgarçada
No entendimento de tua mãe e irmã. A mim me importa,
Dionísio, o que dizes deitado, ao meu ouvido
E o que tu dizes nem pode ser cantado
Porque é palavra de luta e despudor.
E no meu verso se faria injúria
E no meu quarto se faz verbo de amor.

Hilda Hilst
(1930-2004)

dia das crianças. Damião e Kosmos

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Galeria dos Cabras

O maior crime é a arte


O maior crime é a arte
e a maior arte
o maior crime
arte na revolução

e ela não precisa de comandantes


aqui estão os links de um documentário sobre Fela Kuti e a Nigéria
música e política
está no youtube, em 6 partes e chama…

A MÚSICA É A ARMA

tem comparsaria com nosso STRUME UND MANGUE


http://br.youtube.com/watch?v=oMqUpODyBk8&NR=1

http://www.youtube.com/watch?v=V0Zv-FtodZA&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=p0_zozQsAeE&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=fSMPxL98xYg&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=IKndra7s69w&feature=related

http://br.youtube.com/watch?v=orLMLzccyTY&feature=related

ARDOR

ABAIXO ASSINADO

Colocamos nosso abaixo assinado,
que já tinha sido postado aqui,
de uma maneira mais fácil de localizar por todos,
e até por quem não frequenta esse blog.
O link está ao lado,
com os outros,
e quem já assinou aqui
e puder assinar outra vez lá,
pra unificarmos as listas vai ser ótimo.
É até mais simples que postar comentários,
que aliás estão sendo ótimos
e são sempre desejados com ardor.
Merda
Ouro
Ardor

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

deutscher tourist

Ser o Silvio Santos

Os Bandidos. Schiller, Zé Celso. Ardor e amor. Um espetáculo onde Silvio Santos e Uzyna Uzona se misturam. Viram rimas. Teatro e Novela (seria tão mais fácil e -cult -se fosse cinema) num mesmo terreiro, opa, num mesmo espaço. Um desafio praticamente impossível. Encarei o vídeo. A peça está feita. Estreiamos. Lindo. Porem continuo nesse desafio. Sou ainda a estranha no ninho. Olhares desconfiados. É sempre tão difícil. Silvio encanta com o poder da comunicação. Da massa. Ele tem a TV que propaga esse eco. Tecnologia. Ele se coloca como Deus numa propaganda. Talvez o seja. Ele é amado nas ruas. Me confundo entre os dois mundos. Meu coração clama, aclama para descobrir esse segredo. Como levar esse público ao teatro? Como AMPLIFICAR esse ardor? Como fazer um teatro estádio para levar multidões? FUTEBOLIZAR. FUTEBOLIZAR. GOL. Trazer esse Silvio Santos que esta em cada um? Talvez. O teatro é o templo. Um lugar sagrado. O Oficina então…. Uma cortina separa o mundo real do mundo teatral. Zé quebrou as cortinas desde de sempre e agora as traz de volta como metáfora . Subtexto? Mais confusão. Zé também sempre fez questão de tecnologia. Da imagem. Da divulgação. Mas não há transmissão. Silvio usa tudo isso pra falar com o povão. Sinto que há espaço para 2 mundos. Num mesmo lugar. Num mesmo quarteirão. Temos que unir. Nos unir. Tem que acontecer DOAÇÃO. Desapego. A intelectualidade e a sacralidade nos afasta daquele que vê em Silvio Santos seu Deus. E que assina o shopping. Que acredita nesse mundo melhor. Num Baú onde haja a FELICIDADE. Nos afasta do próprio vizinho que assiste a novela real das 8.
MEU DEUS, essa nossa novela só tem sentido se for encarada como novela da nossa cidade.

Ainda não experimentei a alegria absoluta.

E por que não?
Lutar por IBOPE.
Mudar o roteiro. Se necessário. O vilão se torna mocinho e o mocinho vira o ladrão. Por que não? É tudo ficção. Quanto mais mergulho, mais me afasto. E longe, mais perto estou. Meu coração é parte desse enredo. Me sinto Diadorim. Quase me afogo. A hora é agora. Tem que ser agora. Nós, do teatro. Nós da televisão. Nós da Globo. Do SBT. Nós. Hora de nos entregarmos sem medo para o OUTRO. Hora de parar com bairrismos. Ismos. Ismos. O Oficina abre as portas, e fica lá só quem se fecha. MUROS MUROS MUROS MUROS Acho que o muro tem que começar a ser derrubado. Começar por dentro. Vamos construir essa ponte. Que se inicie já essa obra. Do centro da PISTA ao ANHAGABAÚ de cada um. Sabemos disso. Tento um encontro com Silvio Santos. Vou conseguir. Veja bem, esse texto não é uma prece ao Deus de ninguém. Nem Ao Zé Deus. Nem Ao Silvio Deus. Tu é Ele! Que é um outro: Aquele É um grito. Uma pergunta. Na prática o teatro tem que ser um espaço de todos e não só em atas e burocracia. Um movimento popular. Um SBT. Abram as portas. TODOS NÓS. Todos VCS. Um movimento contra elite. Elite de qualquer coisa. Contra TODO E QUALQUER PRECONCEITO. PERMITA A NOSSA ENTRADA, EM TODOS LUGARES. VCS e Nós. Sentem-se. Em qualquer cadeira. Ou no chão. Nos recebam com amor e verdade, sem rancor.
HATE GROUPS. HATE GROUPS.
Lugar de Bandido é na CRUZ.

GRITA. ESCANCARA.

Ardor!
elaine

terça-feira, 7 de outubro de 2008

EM CARTAZ

Preço promocional na sexta, R$10,00 e morador do Bexiga paga R$5,00 em qualquer dia apresentando comprovante de residência.
video

ARDOR

Schiller morreu em 9 de maio de 1805.
Autópsia:
O pulmão estava gangrenos, pastoso e completamente desmanchado;
O coração carecia de substância muscular;
A vesícula biliar e o baço eram desmesuradamente grandes;
Os rins estavam dissolvidos em seu tecido específico e se apresentavam completamente entupidos;
O médico de cabeceira do Duque de Weimar, analisando o resultado da autópsia disse ser admirável que um pobre homem pudesse seguir vivendo nessas circunstâncias.
Schiller afirmou que o espírito constrói o corpo.
Seu entusiasmo criador o manteve com vida além do limite de degeneração do corpo.
Só por seu espírito infinito pode se explicar porque pôde viver tanto tempo.
Com o resultado da autopsia podemos formular uma primeira definição do idealismo de Schiller: o idealismo atua quando alguém,
animado pela força do entusiasmo,
segue vivendo, apesar do corpo não permitir.

O idealismo é o triunfo de uma vontade iluminada e clara.
Pra Schiller a vontade era o órgão da liberdade.

Na sua função de poeta,
ele gostava de situar-se numa altiplanura,
onde o poder da palavra
responde em igualdade de condições
à palavra do poder.


Esse é um trecho da biografia de Schiller, feita por Rüdiger Safranski.
O livro se chama: Schiller, ou a invenção do idealismo alemão.

Fazendo essa peça, nosso desafio é fazer pulsar o amor
o ardor
por todos os minutos das 5 horas de peça.

Deixar o entusiasmo criador
manter a chama da vida acesa
e superar todas as dificuldades que o corpo enfrenta.

Fazer ardor produzir calor.
Calor produzir ardor!

Tivemos 3 espetáculos quentes em Porto Alegre,
com o público atento,
reagindo
e disposto a dar sua emoção naquela hora,
naquele lugar, sem pensar só com a cabeça.
Era muito estimulante a contracenação, com as respostas imediatas.
Alguma coisa nós, atores e público ali presente, sacamos:
o idealismo de Schiller,
o ardor,
a opção pela poesia,
e o desvendamento dessa força criadora,
era pra ser partilhado por todos, e isso criou uma atitude não passiva da platéia.

Infelizmente nós vivemos sob o império decadente do terror,
não vivemos sob as inquietações corpóreas do espírito do ardor.
Da bandeira brasileira foi cortado o amor.
E pra revelar Schiller é preciso ser mais que ator.

Então essa experiência de fazer essa peça,
de ligar as raízes e atenas
pra sermos guiados pela tempestade do ardor irresistível,
e contagiarmos esse estado de atuação,
não faz sentido se vira uma obra pra ser vista passivamente.

Está difícil aqui em São Paulo.
Ainda não conseguimos contagiar,
e o público ainda não teve a sede grande de nos contagiar também.

Vamos tocar nesse tabú.

Nós precisamos abrir e contracenar mais com o público, sim,
e não só os atores,
mas a luz também pode colocar mais a platéia em cena,
a sonoplastia pode baixar o volume, pra que o público se escute…
Mas o público paulista também pode colaborar um pouco mais.
E não estou falando de indivíduos,
que podem ter gostado,
se emocionado com a peça,
e podem agora estar se ofendendo com o que estou escrevendo…
Estou chamando trans-públicos
que podem surgir dispostos a revelar o que estão sentindo naquele momento,
nos contagiar com essas sensações
e contagiar os outros do público também.

É como uma festa.
Tem o anfitrião,
ou vários,
que vão arrumar a casa,
oferecer comidas,
bebidas – até cobrar por elas se for o caso,
escolher a música,
ou deixar os instrumentos à disposição dos inspirados…
Mas se os convidados não forem com a disposição de fazer a festa acontecer,
de fazer baixar as entidades e liberar o terreiro pra catarse,
a festa vai ser muito chata.

Ou, de novo, como futebol.
A torcida faz diferença.
Viver cada lance do gramado junto,
liberar o coração pra se emocionar com gols,
ou com as bolas na trave,
ou ligar um jogador desligado, mesmo com vaias,
mas deixar fervendo aqueles 90 minutos.

Por que o público das nossas apresentações aqui
ainda não nos chamaram ardorosamente na chincha?

Agora estamos sendo explícitos: no começo da peça pedimos pra todo mundo reagir.

Reagir! Estar vivo!

Não precisa pensar tanto,
catarse vem de choques galvânicos,
de contágios
onde não interessa na maior parte das vezes
nossa opinião sobre o acontecimento.

Tem muitas cenas nos Bandidos que nós puxamos aplausos.
Mas esses aplausos fazem parte da dramaturgia.
Não estamos naquele momento pedindo a aprovação da cena com palmas.

Quando o patriarca levanta da cadeira de rodas,
os aplausos não são pra cena bem feita dos atores naquele momento,
são pro milagre de sair andando,
quem estava imobilizado.
Isso se chama imaginação.
O mesmo trabalho que nós atores temos que realizar,
de imaginar as coisas,
de projetar em nós e nos outros as situações,
estamos pedindo pra platéia fazer.

Tem uma cena em o Bandido Gira está na praça da Sé,
cercado pela polícia, com um Capitão Pastor de refém.
Nesse momento hate groups estão na praça,
pedindo a crucificação do bandido.
Eles repetem e pedem pro público repetir: lugar de bandido é na cruz!!!!
É claro que isso é uma coisa muito barra pesada de se dizer em locais públicos,
como um teatro.
Eu não concordo com essa frase,
e acho que os atores que fazem os Hate Groups também não…
Mas é importante pra cena
(a do teatro e a que acontece de verdade!!!)
que o público se coloque no lugar dos Hate Groups,
que grite junto,
que repita essa insanidade
até descobrir que é uma insanidade,
ou descobrir o que a viagem de cada um possibilitar
e até criar outra frase que antagonize com essa!!?

Mas a descoberta pode ser muito mais ardorosa se for feita catárticamente…
A história é super barra pesada,
o drama dos protagonistas
e todo o resto.
Mas com catarse a gente faz a travessia da peça
e sai com ardor,
amor,
humor
pra encarar o dólar que passou dos dois reais,
a bolsa que chegou até -15%…

Pra assinar o abaixo-assinado pró ANHANGABAÚ DA FELICIDADE,
que está num post abaixo,
e poder sair andando depois das 6 horas de Schiller,
ou de um show de música,
ou de Shakespeare,
Nelson Rodrigues,
Teatro da Vertigem,
pelo Bixiga desguetado, sem medo d ser assaltado…

Tudo isso que foi escrito é um convite:
não nos deixem sozinhos.
A peça vai ser quente
se todo mundo esquentar,
não só a gente.
Agora vou assinar ali embaixo.

ARDOR!!!

sábado, 4 de outubro de 2008

Abaixo Assinado pela Construção do AnhangaBaú da Feliz Cidade


Abaixo assinado do povo do Bexiga e outras regiões do Brasil e do Mundo, em apoio à construção no entorno tombado do Teatro Oficina, juntamente com Silvio Santos, os Poderes Públicos, Privados, e todo Povo de São Paulo, do "AnhangaBaú da Feliz Cidade", proposto pelo Teat(r)o Oficina, um dos mais importantes teatros do mundo contemporâneo, que este ano completa seu meio século de existência.

A construção do AnhangaBaú da Feliz Cidade é uma proposta social, cultural, educacional, artística, inspirada no prazer de viver e crescer na metrópole de São Paulo, a ser realizada juntamente com Silvio Santos. O próprio nome batizado por um verso do samba do poeta, músico e professor José Miguel Wisnik revela esse desejo de que uma luta de 28 anos transforme-se em parceria.

Este ato desencadearia um ciclo inédito de revitalização da área do Bixiga, atraindo novos empreendimentos e público, para um bairro conhecido por seus teatros, cantinas, Escola de Samba Vai Vai, sua boemia, apostando no renascimento do Bairro do Bixiga, agora em decadência ocasionada pelas destruições da especulação imobiliária, que renasceria como umbigo natural de São Paulo: ponto de encontro de todos os guetos pobres ou ricos da cidade.

Com toda sua contribuição para cultura brasileira, até hoje, a população do Bexiga não possui praças, áreas verdes para descontração, meditação, cultura, educação e cultivo do corpo, mente, e alimentação, que poderiam vir a existir com a construção deste lugar sem grades, sem a tirania dos cifrões para entrar.

Em que consiste o projeto:

- uma Universidade Antropófaga, inspirada num antigo morador deste bairro: o grande poeta modernista e antropófago: Oswald de Andrade, que formaria não somente atores para o teatro, cinema ou TV, mas atuadores na sociedade nas zonas de conflito, áreas de risco, formados na experiência do estudo e contato com os pontos tabus, que impedem nossa evolução democrática para liberdade, incorporando o ensino com crianças, adultos, através de experiências artísticas, filosóficas, científicas, mergulhando nos temas tabus, evitados pela educação do péssimo padrão de hoje.

- um Teatro de Estádio para mais de cinco mil pessoas, aonde serão encenadas peças de toda a dramaturgia mundial alternando-se, misturando-se Companhias de todas as procedências, onde serão realizados grandes Festivais de Teatro Nacionais e Internacionais: "As Dionisíacas"

- uma Área Verde : uma Oficina de Florestas, expandido-se por todo Bairro.

- uma Ágora do Bexiga, praça pública, em torno e sob o Minhocão, espaço de convivência, diversão, prazer,  com alimentação aproveitando-se o sacolão, música ao vivo e performances, mas principalmente local de encontro dos habitantes do bairro e de toda a cidade misturando-se para conversarem sobre seus problemas, soluções e principalmente sobre seus sonhos. Do outro lado do Minhocão, em dois terrenos,  seria criada a Torre da Memória do Teatro Paulista e Brasileiro e a administração do AnhangaBaú da Feliz Cidade.

A construção desse complexo cultural tem por objetivo aumentar as áreas de prazer, diversão, e recuperar as já existentes, mas sobretudo permitir a ascenção da cultura desse povo do bairro, que em vez de expulso, será a base da criação e transformação da região. A era das grades, da violência e da criação em cativeiro, não será superada com as fortalezas dos Shoppings e Condomínios. O mundo em plena transformação com a queda do Império pede a criação de espaços públicos para todas as classe sociais, onde a cultura, a educação e a diversão não serão exclusivamente sinônimo de compra e venda, mas fator de crescimento, capacitação e poder humano.

Por essas razões, e muitas outras, nós abaixo assinados apoiamos a iniciativa de construção do Anhangabaú da Feliz Cidade no bairro do Bexiga

Para assinatura deixar o nome no comentário e assinar o abaixo-assinado no site do Oficina

Teatro Oficina Uzyna Uzona


Abaixo assinado em apoio a construção do shoping Silvio Santos está rodando pelo Bexiga e tem mais de 3000 assinaturas.

Texto do grupo Silvio Santos já com 3 mil assinaturas

Abaixo assinado da população da Bela Vista em apoio à construção do Sh. Cultural do Grupo SS

A construção de um shopping com uma proposta cultural desencadearia um novo ciclo de revitalização da área da Bela Vista, atraindo novos empreendimentos e público para um bairro conhecido por seus teatros, mas que está em decadência.

Além disso, a população da BV não possui áreas de lazer, diversão, cinemas, praças de alimentação, que poderiam ser asseguradas com a construção do shopping. O novo shopping traria para a população mais empregos e um centro de entretenimento e serviços seguro, motivando os moradores a permanecerem no bairro e fraquentar seus arredores.

Por essa razão, nós aabaixo assinados apoiamos a iniciativa de construção de o Grupo SS construir um shopping cultural no bairro

OS BANDIDOS no SPTV

 
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